Revisão do tema
Âncora de memorização: Imperícia = falta de habilidade/técnica; Imprudência = agir com precipitação/sem cautela; Negligência = omissão do dever de cuidado/atenção. No CEM, é vedado abandonar paciente e realizar transferência sem garantir segurança e continuidade do cuidado.
Epidemiologia e Etiologia
- Eventos adversos em procedimentos eletivos estéticos exigem resposta imediata, com estabilização e, se necessária, transferência regulada e assistida. No Brasil, a referência normativa é o Código de Ética Médica (CEM) e as normativas do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
- Em cenário de instabilidade hemodinâmica, a responsabilidade do médico assistente é assegurar suporte avançado e continuidade da assistência, evitando abandono terapêutico.
Diagnóstico
- Definições operacionais (CEM - Resolução CFM nº 2.217/2018):
- Imperícia: insuficiência de conhecimento técnico/científico ou habilidade manual para o ato indicado.
- Imprudência: ação precipitada/temerária, sem observância da cautela exigida.
- Negligência: omissão de conduta devida (não agir quando deveria), descuido/falta de diligência.
- Regras éticas nucleares aplicáveis:
- É vedado ao médico abandonar paciente sob seus cuidados e interromper assistência sem garantir continuidade (CEM, princípios e vedações gerais).
- Transferência só deve ocorrer quando não houver agravo de risco e com garantia de meios adequados ao transporte e à recepção pelo serviço de destino.
- Mini-exemplo: Paciente instável no pós-operatório imediato deve ser estabilizado, com acionamento do SAMU e transferência assistida; entregar à família para transporte leigo caracteriza negligência.
Conduta & Posologia
- Conduta ética imediata em instabilidade pós-operatória: prover suporte avançado no local (via aérea, ventilação, acesso venoso, reposição volêmica/hemocomponentes conforme indicação), acionar o SAMU/Regulação, e realizar transferência assistida para serviço com suporte crítico, com comunicação prévia e contrarreferência.
- Próximo passo obrigatório antes de transferência: estabilização hemodinâmica inicial e monitorização contínua durante o transporte por equipe capacitada.
- Critérios de transferência segura: transporte médico-assistido, equipamentos e insumos compatíveis com o risco, equipe treinada, aceite prévio do receptor, documentação com resumo clínico.
- O que é vedado pelo CEM: Encaminhar paciente instável sob cuidados de leigos/familiares ou interromper cuidados sem assegurar continuidade.
Discussão das alternativas
✅ C) negligente quanto à estabilização pré-transporte da paciente.
Alternativa correta. Segundo o CEM, o médico deve assegurar continuidade e segurança do cuidado, inclusive durante a transferência. Encaminhar paciente instável para UPA sob responsabilidade de familiares, sem estabilização, monitorização e equipe/recursos adequados de transporte, configura negligência por omissão do dever de cuidado.
❌ A) imprudente ao operar a paciente em clínica privada.
Alternativa incorreta. Realizar abdominoplastia em clínica privada, por si só, não configura imprudência, desde que haja habilitação, condições técnicas e segurança assistencial. O erro do caso não está no local do ato operatório, mas na omissão de estabilização e transferência segura.
❌ B) imperito ao realizar o procedimento de abdominoplastia.
Alternativa incorreta. Não há dados que evidenciem falta de competência técnica no ato cirúrgico. O desfecho decorre do manejo inadequado da intercorrência e do transporte, o que não caracteriza imperícia, e sim negligência (omissão do cuidado devido).
❌ D) diligente ao solicitar aos familiares a rápida transferência da paciente.
Alternativa incorreta. Diligência exige transferência assistida e regulada, após medidas de estabilização inicial. Entregar o transporte a leigos, sem garantia de suporte durante o trajeto, viola o CEM e caracteriza abandono parcial da assistência.
Take-home message
- Imperícia = falta de habilidade; Imprudência = agir sem cautela; Negligência = omissão do dever de cuidado.
- Paciente instável não pode ser entregue a familiares: exige estabilização, regulação e transporte assistido (SAMU/equipe capacitada).
- CEM veda abandono e transferência que aumente risco; garantir continuidade do cuidado é obrigatório.
- Red flag: Não encaminhar paciente crítico por meios leigos/sem monitorização.
- Quando necessário transferir, comunicar serviço receptor, preparar documentação e acompanhar conforme risco.