Revisão do tema
Âncora de memorização – por que cai: Classificação da dengue por grupos (A, B, C, D), reconhecimento de sinais de alarme e definição de local de manejo (ambulatorial vs internação/UTI) segundo Ministério da Saúde.
Epidemiologia e Etiologia
- Dengue no Brasil: endemia com surtos sazonais. Jovens adultos frequentemente apresentam formas com sinais de alarme no período crítico (dias 3–6).
- Agente etiológico: vírus da dengue (sorotipos 1–4) transmitido pelo Aedes aegypti.
Diagnóstico
- Definição operacional: febre aguda + 2 ou mais (mialgia, artralgia, náuseas/vômitos, dor abdominal, hepatomegalia, exantema, sangramento) em área com transmissão.
- Sinais de alarme (chave para prova): dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; hipotensão postural/lipotímia; hepatomegalia dolorosa > 2 cm; sangramento de mucosas; letargia/irritabilidade; aumento do hematócrito com queda de plaquetas; desconforto respiratório; dor torácica; oligúria.
- Classificação MS por grupos: - Grupo A: sem sinais de alarme e sem comorbidades — manejo ambulatorial. - Grupo B: com sinais de alarme — requer hidratação venosa e internação em enfermaria para monitorização. - Grupo C/D: dengue grave (choque, sangramento grave, disfunção orgânica) — manejo em sala de emergência/UTI.
- Achados laboratoriais típicos: leucopenia, plaquetopenia progressiva, hemoconcentração (↑ hematócrito), transaminases elevadas. Mini-exemplo: Hematócrito subindo e plaquetas caindo no dia 3–4 = sinal de alarme.
Conduta & Posologia
- Indicação de internação (este caso): presença de hepatomegalia dolorosa > 2 cm, taquicardia e provável hemoconcentração/plaquetopenia →
- Grupo B (dengue com sinais de alarme) → internar em enfermaria com hidratação venosa e monitorização clínica-laboratorial seriada.
- Hidratação venosa (adulto, Grupo B – fluxos do MS): iniciar Soro Fisiológico 0,9% 10 mL/kg em 1 hora, reavaliar (PA, FC, perfusão, diurese, dor abdominal, hematócrito). Se responder, reduzir para 5–7 mL/kg/h por 2–4 h; depois 3–5 mL/kg/h por 2–4 h; então 2–3 mL/kg/h conforme clínica/labs. Se não responder, repetir bolus de 10 mL/kg e reavaliar. Observação: seguir algoritmos do MS com reavaliação frequente do hematócrito/diurese.
- Analgesia/antitérmico: - Paracetamol 500–750 mg VO 6/6–8/8 h (máximo 3 g/dia em adulto sem hepatopatia). - Dipirona 500–1.000 mg VO/IV 6/6–8/8 h se necessário.
- Antiemético (se vômitos): Ondansetrona 4 mg VO/IV 8/12 h.
- Ajustes e precauções: reduzir dose de paracetamol em hepatopatia/alcoolismo crônico; cautela com dipirona em insuficiência renal e história de agranulocitose; evitar drogas nefrotóxicas durante fase crítica.
- Contraindicações: Ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não esteroidais (↑ risco de sangramento e nefrotoxicidade na fase crítica).
- Efeitos adversos relevantes: Paracetamol (hepatotoxicidade em doses altas); dipirona (hipotensão IV rápida, agranulocitose rara); ondansetrona (prolongamento do QT, constipação).
- Monitorização na internação: sinais vitais e perfusão a cada 2–4 h; diurese alvo ≥ 0,5 mL/kg/h; hemograma/hematócrito a cada 12–24 h (ou mais curto se instável); eletrólitos, função renal e transaminases diários na fase crítica.
- Critérios de UTI (não presentes aqui): choque/descompensação hemodinâmica, sangramento grave, disfunção orgânica (encefalopatia, insuficiência hepática aguda, miocardite/IC, insuficiência respiratória), acidose/lactato elevado.
- Tempo de reavaliação: após cada ajuste de fluido (1–2 h), e no mínimo 2–4 h nas primeiras 24–48 h do período crítico.
Discussão das alternativas
✅ C) hidratação venosa e internação hospitalar em enfermaria para monitorização clínica e laboratorial.
Alternativa correta. Há sinais de alarme (hepatomegalia dolorosa > 2 cm, taquicardia e provável hemoconcentração/plaquetopenia no 3º dia), classificando como Grupo B segundo o MS. Conduta: internação em enfermaria, hidratação venosa guiada por reavaliação seriada e monitorização laboratorial.
❌ A) alta para acompanhamento ambulatorial diário e hidratação oral abundante e analgesia.
Alternativa incorreta. Conduta ambulatorial é para Grupo A (sem sinais de alarme). Este caso tem hepatomegalia dolorosa > 2 cm (alarme), exigindo hidratação IV e observação hospitalar.
❌ B) hidratação oral abundante e sintomáticos, alta e orientação de retorno no primeiro dia após a cessação da febre.
Alternativa incorreta. Orientação de retorno apenas após a defervescência é perigosa. O período crítico inicia justamente quando a febre cessa (dias 3–6), quando ocorrem extravasamento plasmático e complicações; o paciente deve estar internado e monitorizado.
❌ D) internação em unidade de terapia intensiva (UTI) imediatamente para hidratação vigorosa e monitoramento contínuo.
Alternativa incorreta. UTI é reservada para Grupo C/D (dengue grave: choque, sangramento grave, disfunção orgânica). O caso não exibe choque, sangramento importante ou falência orgânica. Enfermaria com protocolo de hidratação é suficiente.
Take-home message
- Dengue com sinais de alarme (ex.: hepatomegalia > 2 cm, dor abdominal, ↑ hematócrito com ↓ plaquetas) = internação e hidratação venosa.
- Hidratação inicial sugerida (adulto, Grupo B): SF 0,9% 10 mL/kg em 1 h, reavaliar e reduzir progressivamente (5–7 → 3–5 → 2–3 mL/kg/h) conforme resposta/hematócrito.
- Sintomáticos seguros: Paracetamol 500–750 mg 6/6–8/8 h (máx. 3 g/dia); Dipirona 500–1.000 mg 6/6–8/8 h.
- Red flag: NÃO usar AAS/anti-inflamatórios não esteroidais (risco de sangramento/lesão renal na fase crítica).
- Monitorar sinais vitais 2–4/4 h, diurese ≥ 0,5 mL/kg/h e hemograma/hematócrito seriados (12–24/24 h).
- UTI apenas se choque, sangramento grave ou disfunção orgânica (dengue grave).
Nesse caso, a conduta inicial mais adequada envolve