Revisão do tema
Âncora de memorização: Em mulher em menacme, cisto ovariano simples de 3–7 cm, anecóico, parede fina e sem componentes sólidos é, na imensa maioria, funcional/benigno. Conduta padrão é vigilância ultrassonográfica em 6–12 semanas.
Epidemiologia e Etiologia
- Frequência: Cistos funcionais (foliculares/lúteos) são comuns em idade reprodutiva; a maioria regride espontaneamente em 1–3 ciclos.
- Risco oncológico: Cisto simples típico em pré-menopausa tem risco extremamente baixo de malignidade. Rastreamento de câncer de ovário com CA 125 não é recomendado em assintomáticas de risco populacional.
Diagnóstico
- Definição ultrassonográfica de cisto simples: Lesão anecóica, redonda/oval, paredes finas e regulares, sem septações, sem projeções papilares ou nódulos sólidos, sem ecos internos e sem vascularização interna ao Doppler.
- Estratificação prática (pré-menopausa):
- < 3 cm: achado fisiológico; muitas vezes nem deve ser reportado.
- 3–7 cm: típico simples → vigilância com ultrassonografia em 6–12 semanas.
- > 7 cm: pode dificultar avaliação completa; considerar avaliação especializada e métodos adicionais/abordagem cirúrgica se persistente ou complexo.
- Sinais de alerta ultrassonográficos (suspeita de neoplasia): componentes sólidos, papilas, septos espessos (≥ 3 mm), ascite, vascularização interna de nódulos.
Conduta & Posologia
- Próximo passo (caso do enunciado): Repetir ultrassonografia transvaginal em 6–12 semanas para documentar resolução/redução do cisto.
- O que não fazer inicialmente: CA 125 e ressonância magnética pélvica em cisto simples típico e assintomática em pré-menopausa.
- Critérios para encaminhar ao especialista/considerar cirurgia: persistência ou crescimento do cisto após 2–3 ciclos; diâmetro > 7–10 cm; aparecimento de componentes complexos; sintomas (dor importante, aumento de volume); dúvidas diagnósticas.
- Urgência (internação): Dor pélvica aguda com sinais de torção/rotura → avaliação hospitalar imediata e manejo cirúrgico conforme achados.
- Tempo de reavaliação: 6–12 semanas (1–3 ciclos). Se resolver, retorno à rotina habitual; se persistir/crescer, nova estratificação e eventual referência.
Discussão das alternativas
✅ D) repetir a ultrassonografia transvaginal em até 12 semanas.
Alternativa correta. Conduta expectante com ultrassonografia seriada é o manejo de primeira linha para cisto simples de 3–7 cm em pré-menopausa, visando documentar resolução espontânea em 1–3 ciclos.
❌ A) realizar dosagem sanguínea do CA 125.
Alternativa incorreta. CA 125 não é exame de rastreamento em assintomáticas e tem baixo valor preditivo em pré-menopausa (falsos positivos por condições benignas). Em cisto simples típico, não está indicado inicialmente. Fonte: INCA. Câncer de ovário — rastreamento não recomendado com CA 125.
❌ B) indicar acompanhamento ginecológico de rotina.
Alternativa incorreta. Não basta “rotina” sem controle da lesão. Deve-se repetir ultrassonografia em 6–12 semanas para confirmar resolução do cisto funcional.
❌ C) indicar realização de ressonância magnética da pelve.
Alternativa incorreta. Ressonância magnética é reserva para casos indeterminados ao ultrassom ou massas complexas. Em cisto simples típico e assintomática, o exame adiciona custo sem benefício e não muda a conduta inicial de vigilância.
Take-home message
- Cisto simples em pré-menopausa (anecóico, parede fina, sem septos/sólidos/fluxo) de 3–7 cm → vigilância com ultrassonografia em 6–12 semanas.
- Não solicitar CA 125 nem ressonância magnética na avaliação inicial de cisto simples típico assintomático.
- Encaminhar se persistente/crescente após 2–3 ciclos, > 7–10 cm, sintomas ou achados complexos no ultrassom.
- Red flag: dor pélvica aguda com defesa/sinais de torção → avaliação hospitalar imediata.
- Rastreamento populacional de câncer de ovário não é recomendado; CA 125 isolado não deve ser usado para rastrear.