Revisão do tema
Âncora de memorização: Em dor abdominal aguda com descompressão brusca dolorosa (sinal de Blumberg), há irritação peritoneal — é indicação de avaliação cirúrgica imediata.
Epidemiologia e Etiologia
- Cenário brasileiro: Apendicite aguda é a principal causa cirúrgica de abdome agudo em crianças e adolescentes; pico na adolescência. Atraso no diagnóstico aumenta risco de perfuração e complicações.
- Fisiopatologia (por que importa): Obstrução luminal do apêndice (fecalito/hiperplasia linfoide) leva a isquemia, infecção, necrose e possível perfuração; quando há peritonite, a conduta é cirúrgica.
Diagnóstico
- Clínica típica: Dor que migra para fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas/vômitos, febre baixa. Em crianças, vômitos biliosos podem ocorrer.
- Sinal decisivo: Descompressão brusca dolorosa positiva = irritação peritoneal. Em prova, é gatilho para avaliação cirúrgica imediata.
- Exames: Hemograma (leucocitose/neutrofilia), proteína C reativa elevada. Ultrassonografia é o exame de imagem inicial em pediatria; tomografia é reserva quando ultrassonografia é inconclusiva e persistem sinais clínicos.
- Escalas clínicas: Alvarado/AIR auxiliam, mas não substituem o exame clínico. Peritonite clinicamente evidente dispensa pontuação para indicar abordagem cirúrgica.
Conduta & Posologia
- Próximo passo (cirúrgico): Diante de sinais de irritação peritoneal (ex.: descompressão brusca dolorosa), indicar avaliação imediata pela cirurgia para apendicectomia (aberta ou videolaparoscópica), conforme disponibilidade e condição clínica.
- Medidas iniciais na UPA: Jejum, acesso venoso, reposição volêmica (cristaloide 10–20 mL/kg), analgesia titulada (ex.: dipirona/paracetamol; opioide se necessário), antiemético, monitorização.
- Antibioticoterapia: Profilaxia perioperatória é padrão; em suspeita de apendicite complicada/peritonite, iniciar antibiótico de amplo espectro e manter pós-operatório conforme cultura/conduta local. (As doses seguem protocolos institucionais; em prova, o ponto é: peritonite = iniciar antibiótico e operar).
- Critérios de internação vs ambulatorial: Internar todos com suspeita forte de apendicite e qualquer paciente com sinais peritoneais. Observação ambulatorial só em dor inespecífica, sem sinais de alarme, com reavaliação clínica em 6–12 horas.
- Red flags cirúrgicos: Descompressão brusca dolorosa, defesa involuntária, dor em rebote difusa, sinais de sepse, instabilidade hemodinâmica.
Discussão das alternativas
✅ B) Descompressão brusca dolorosa.
Alternativa correta. Descompressão brusca dolorosa positiva indica irritação peritoneal (peritonite). Em criança/adolescente com quadro compatível com apendicite, isso configura indicação de avaliação cirúrgica imediata e preparo para apendicectomia. A imagem pode ser adjuvante, mas não deve atrasar a abordagem quando há sinais peritoneais.
❌ A) Dor abdominal difusa.
Alternativa incorreta. Dor difusa, isoladamente, é inespecífica e comum em múltiplas causas benignas. Sem sinais peritoneais ou marcadores de gravidade, não é critério direto para avaliação cirúrgica imediata.
❌ C) Dor abdominal associada a vômitos.
Alternativa incorreta. Embora frequentes na apendicite, dor e vômitos sem sinais peritoneais não definem urgência cirúrgica. Exigem avaliação clínica e, se necessário, exames (principalmente ultrassonografia) e observação.
❌ D) Massa palpável em fossa ilíaca direita.
Alternativa incorreta. Sugere plastrão apendicular (massa inflamatória). Em geral, a conduta inicial é não operatória (antibiótico/observação) e apendicectomia tardia pode ser considerada. Não é indicação de cirurgia imediata na ausência de peritonite difusa.
Take-home message
- Descompressão brusca dolorosa = irritação peritoneal = avaliação cirúrgica imediata.
- Em pediatria, ultrassonografia é o exame de imagem inicial, mas não deve atrasar a cirurgia na presença de peritonite.
- Plastrão apendicular costuma ter manejo não operatório inicial, diferindo de peritonite.
- Red flag: Nunca postergar avaliação cirúrgica quando há defesa involuntária e dor em rebote.
- Medidas iniciais: jejum, hidratação venosa, analgesia adequada, antiemético, antibiótico se suspeita de complicação.