Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai na prova): No PCDT-MS 2025, hipertensão estágio 1 confirmada em duas consultas já indica início de tratamento farmacológico associado a medidas de estilo de vida, mesmo em baixo risco. MAPA/MRPA não é exigida para confirmar quando há duas medidas clínicas válidas.
Epidemiologia e Etiologia
Brasil: Prevalência de hipertensão arterial sistêmica em adultos ~25–30%. Maior comorbidade cardiovascular modificável na Atenção Primária.
Etiologia: Predomínio de hipertensão primária (essencial), multifatorial: genética, excesso de sal, obesidade, sedentarismo, álcool.
Diagnóstico
Definição operacional: Pressão arterial sistólica ≥140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥90 mmHg em duas consultas distintas com técnica adequada na UBS.
Estadiamento: Estágio 1 = 140–159 e/ou 90–99 mmHg; Estágio 2 = 160–179 e/ou 100–109 mmHg; Estágio 3 ≥180 e/ou ≥110 mmHg.
Confirmação com métodos fora do consultório: Indicação dirigida (suspeita de hipertensão do avental branco/mascarada, variabilidade excessiva, avaliação da eficácia terapêutica). Não é obrigatório quando o diagnóstico já foi confirmado por duas consultas válidas.
Risco cardiovascular: Baixo risco e sem lesões de órgão-alvo neste caso.
Conduta & Posologia
Estratégia terapêutica inicial (APS): Em hipertensão estágio 1 confirmada e baixo risco: iniciar farmacoterapia + medidas de estilo de vida. Reavaliar em 2–4 semanas para ajuste.
Meta pressórica: Na APS, utilizar meta pragmática de <140/90 mmHg para a maioria. Se bem tolerado e sem efeitos adversos, pode-se almejar <130/80 mmHg em adultos não idosos, conforme julgamento clínico.
Escolha de primeira linha (monoterapia no estágio 1):
• Diurético tiazídico: Hidroclorotiazida 12,5–25 mg VO 1x/dia. Preferir pela ampla disponibilidade no SUS. Alternativa: Clortalidona 12,5–25 mg VO 1x/dia (maior potência/vida média, disponibilidade variável).
• Bloqueador do canal de cálcio (dihidropiridínico): Anlodipino 5 mg VO 1x/dia, podendo aumentar para 10 mg 1x/dia.
• Inibidor da enzima conversora de angiotensina: Enalapril 5–10 mg VO 12/12h (titulável até 20 mg 12/12h). Alternativa: Captopril 25–50 mg VO 8/8–12/12h.
• Bloqueador do receptor de angiotensina: Losartana 50 mg VO 1–2x/dia (ajustar até 100 mg/dia).
Quando combinar de início? PA ≥160/100 mmHg, alto/muito alto risco, ou PA ≥20/10 mmHg acima da meta. Este caso: monoterapia é apropriada.
Ajustes e cautelas:
• Tiazídicos: Efetividade reduzida em taxa de filtração glomerular <30 mL/min/1,73m². Monitorar sódio, potássio e ácido úrico.
• IECA/BRA: Avaliar creatinina e potássio 1–2 semanas após início ou ajuste. Contraindicados na gestação e em estenose bilateral de artéria renal.
• Anlodipino: Pode causar edema maleolar; não requer ajuste renal.
Medidas não farmacológicas (todas devem ser prescritas):
• Reduzir sal para <2 g de sódio/dia (~5 g sal).
• Perda ponderal (IMC alvo 20–25 kg/m²; reduzir 5–10% se sobrepeso/obesidade).
• Atividade física: 150 min/semana de exercício aeróbico moderado, em 3–5 dias.
• Álcool: limitar a ≤2 doses/dia (homem) e ≤1 dose/dia (mulher); idealmente evitar.
• Parar tabagismo; dieta padrão DASH; sono adequado.
Tempo de reavaliação e monitorização: Reavaliar em 2–4 semanas após início/ajuste. Checar eletrólitos e função renal conforme droga. Se sem controle em 4–12 semanas, intensificar (titulando dose ou associando classe complementar).
Critérios de urgência/emergência (encaminhar/ir ao hospital): PA ≥180/120 mmHg com ou sem lesão de órgão-alvo aguda (dor torácica, dispneia, déficit neurológico, EAP, encefalopatia, lesão renal aguda).
Mini-exemplo: PA 152/94 mmHg confirmada em 2 consultas + baixo risco: iniciar hidroclorotiazida 12,5–25 mg/dia e MEV; retorno em 3 semanas para ajuste.
Discussão das alternativas
✅ B) Associar medidas não farmacológicas à prescrição de medicamento anti-hipertensivo adequado ao estágio da doença.
Alternativa correta. Hipertensão estágio 1 confirmada em 2 consultas na UBS, baixo risco e sem lesões de órgão-alvo: o PCDT-MS 2025 orienta início de farmacoterapia associado a mudanças de estilo de vida. Monoterapia de primeira linha (tiazídico, bloqueador do canal de cálcio, inibidor da enzima conversora de angiotensina ou bloqueador do receptor de angiotensina) com reavaliação em 2–4 semanas.
❌ A) Solicitar MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial) para confirmação diagnóstica.
Alternativa incorreta. A MAPA é útil em suspeita de avental branco/mascarada ou para avaliar controle terapêutico. Não é necessária quando a hipertensão foi confirmada em duas consultas com técnica adequada, como no caso.
❌ C) Realizar monitorização residencial da pressão arterial e reavaliar em duas semanas.
Alternativa incorreta. A monitorização residencial da pressão arterial é ferramenta válida para seguimento e detecção de padrões, mas não é requisito para confirmar o diagnóstico já estabelecido. Além disso, o plano terapêutico deve incluir início de fármaco agora, e não aguardar apenas MRPA por 2 semanas.
❌ D) Orientar medidas relacionadas ao estilo de vida e programar nova avaliação clínica antes de iniciar tratamento medicamentoso.
Alternativa incorreta. Aguardar só com mudanças de estilo de vida é conduta insuficiente no PCDT-MS 2025 para estágio 1 já confirmado em 2 consultas. A recomendação é MEV + fármaco desde o início.
Take-home message
- Diagnóstico de hipertensão na APS pode ser confirmado com duas consultas válidas (≥140/90 mmHg), sem exigir MAPA/MRPA.
- Estágio 1 confirmado e baixo risco: inicie farmacoterapia + MEV; prefira monoterapia e reavalie em 2–4 semanas.
- Opções iniciais e doses: Hidroclorotiazida 12,5–25 mg/dia, Anlodipino 5–10 mg/dia, Enalapril 5–20 mg 12/12h, Losartana 50–100 mg/dia.
- Red flag: PA ≥180/120 mmHg ou lesão de órgão-alvo aguda = urgência/emergência hipertensiva (encaminhar imediatamente).
- Meta prática na APS: <140/90 mmHg; considerar <130/80 mmHg se bem tolerado e sem efeitos adversos.
- MEV efetiva: redução de sal (<2 g sódio/dia), perda de peso, exercício regular, moderação de álcool e cessação do tabagismo.