Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): O diagrama de controle/endêmico classifica, por semana epidemiológica, a incidência observada em faixas (abaixo do esperado, endêmico/esperado, alerta e epidêmico). A banca cobra a leitura correta: só há “surto/epidemia” se a curva observada ultrapassar o limite epidêmico definido para aquele território e semana.
Epidemiologia e Etiologia
Dengue no Brasil: transmissão por Aedes aegypti, padrão sazonal (chuvas/temperatura), ciclos com anos epidêmicos intercalados por anos endêmicos.
Diagrama de controle (canal endêmico): construído com séries históricas (geralmente 5 anos, excluindo anos epidêmicos), definindo limites por percentis/quartis. Faixas típicas: baixa (abaixo do esperado), esperada (endêmica), alerta e epidêmica.
Diagnóstico
Definição operacional de surto: aumento de casos acima do esperado em área, população e período definidos (comparado ao canal endêmico daquele território).
Definição operacional de epidemia: disseminação com incidência acima do limite epidêmico em ampla área (ex.: municipal/estadual), em múltiplas semanas.
Leitura do diagrama: Se a curva semanal permanecer dentro da faixa endêmica, o comportamento é endêmico; se ultrapassar a faixa de alerta, há sinal de atenção; se ultrapassar o limite epidêmico, caracteriza-se surto/epidemia no território.
Mini-exemplo: Semana 6 com ponto acima do limite epidêmico = surto local naquela semana, independentemente do que ocorre em outros distritos.
Conduta
Se o território estiver em nível endêmico (faixa esperada): manter vigilância rotineira, notificação oportuna (em até 24h para casos graves/óbito), ações regulares de controle vetorial (eliminação de criadouros, visitas domiciliares programadas), educação em saúde e monitoramento semanal do diagrama.
Se entrar em faixa de alerta: intensificar controle vetorial em até 72h (busca ativa de focos e casos febris), reforçar coleta de amostras segundo protocolo local, ampliar comunicação de risco e revisar capacidade assistencial da Unidade Básica de Saúde.
Se ultrapassar limite epidêmico: acionar plano de contingência municipal, sala de situação, ampliar horários de atendimento, garantir insumos para hidratação e testes, e comunicar vigilância imediatamente.
Critérios de escalonamento/apoio: Solicitar apoio da vigilância municipal quando houver ultrapassagem sustentada do limite de alerta/epidêmico por ≥2 semanas ou expansão geográfica rápida.
Tempo de reavaliação: reavaliar semanalmente (ou em 48–72h se em alerta/epidemia) os indicadores do diagrama e os focos de Aedes.
Armadilha de prova: “Epidemia municipal” não implica automaticamente epidemia em todos os territórios; vale o canal endêmico de cada área.
Discussão das alternativas
✅ B) a incidência de dengue esteve em nível endêmico.
Alternativa correta. Pela leitura do diagrama fornecido, a série de 2025 permaneceu dentro da faixa endêmica (esperada), sem ultrapassar o limite epidêmico. Logo, o comportamento no território foi endêmico naquele ano, ainda que outros distritos do município tenham vivenciado surtos.
❌ A) o número de casos de dengue indica epidemia.
Alternativa incorreta. Epidemia local requer ultrapassar o limite epidêmico do canal endêmico do território em uma ou mais semanas. No gráfico, não há pontos acima da faixa epidêmica; portanto, não há epidemia nesse território.
❌ C) o surto de dengue ocorreu entre as semanas 3 e 9.
Alternativa incorreta. Surto implica incidência acima do esperado (limite epidêmico) naquele território e período. Entre as semanas 3 e 9, a curva não ultrapassa a linha/área epidêmica do diagrama; logo, não houve surto no território nesse intervalo.
❌ D) a epidemia de dengue do município afetou sua população adscrita.
Alternativa incorreta. A informação de epidemia/surtos em parte do município (13/32 distritos) não autoriza concluir que o território específico do médico foi afetado. O diagrama local mostra comportamento endêmico, sem extrapolar o limite epidêmico.
Take-home message
- Diagrama de controle: classifica semanalmente em baixa, endêmica (esperada), alerta e epidêmica, a partir da série histórica local.
- Só há surto/epidemia no território quando a incidência ultrapassa o limite epidêmico daquele canal endêmico.
- Comportamento endêmico = curva dentro da faixa esperada; conduta: manter vigilância e controle vetorial rotineiros, com monitoramento semanal.
- Faixa de alerta exige intensificar em até 72h: busca ativa de casos e focos, comunicação de risco e revisão da capacidade assistencial.
- Red flag: Não extrapole conclusões municipais para o território sem olhar o canal endêmico local.
- Epidemia municipal não implica epidemia em todos os distritos; a decisão é territorial.
