Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Criança com respiração bucal, roncos e pausas respiratórias noturnas + fácies adenoideana. O exame confirmatório anatômico da hipertrofia de adenoide é a nasofibroscopia flexível. Polissonografia é padrão-ouro para confirmar gravidade de apneia do sono, não para medir adenoide.
Epidemiologia e Etiologia
Epidemiologia: Hipertrofia de adenoide/tonsilas é causa principal de obstrução nasal e síndrome da apneia obstrutiva do sono na infância (pico pré-escolar e escolar no Brasil).
Etiologia: Hiperplasia linfoide por estímulo antigênico repetido (infecções virais/bacterianas) e rinite alérgica associada. Fatores anatômicos: palato em ogiva, micrognatia, fácies adenoideana.
Diagnóstico
Definição operacional: Hipertrofia de adenoide é aumento do tecido linfoide da nasofaringe com obstrução mecânica da via aérea superior.
Sinais clínicos-chave: Respiração oral crônica, roncos, pausas/apneias, sono fragmentado, boca seca ao despertar, fácies adenoideana, palato em ogiva.
Exame confirmatório (anatômico): Nasofibroscopia flexível com visualização direta do cavum e estimativa do grau de obstrução (percentual de ocupação da coana/véu palatino).
Exame auxiliar quando endoscopia indisponível: Radiografia lateral de cavum (menor acurácia, sem avaliação dinâmica, envolve radiação).
SAOS (síndrome da apenia obstrutiva do sono) na infância: Confirmação e graduação por polissonografia noturna (padrão-ouro para eventos respiratórios e dessaturação), mas não substitui a avaliação anatômica da adenoide.
Conduta & Posologia
Próximo passo no caso típico: Solicitar nasofibroscopia flexível para confirmar hipertrofia de adenoide e quantificar obstrução; se forte suspeita de SAOS, programar polissonografia para estratificação da gravidade.
Tratamento de primeira linha: Adenotonsilectomia quando SAOS moderado/grave em polissonografia, ou obstrução importante com repercussões clínicas (alteração craniofacial, baixo ganho ponderal, distúrbio de comportamento/aprendizado), ou falha do tratamento clínico.
Tratamento clínico adjuvante (rinite associada/quadros leves): Corticoide intranasal e lavagem com solução salina hipertônica/isonica.
Corticoide intranasal (exemplos pediátricos):
• Mometasona spray 50 mcg/ação: 1 jato/narina 1x/dia (100 mcg/dia).
• Budesonida spray 50 mcg/ação: 1 jato/narina 1–2x/dia (100–200 mcg/dia).
• Furoato de fluticasona 27,5 mcg/ação: 1 jato/narina 1x/dia (55 mcg/dia).
Duração: Reavaliar resposta clínica em 4–8 semanas.
Contraindicações: Hipersensibilidade ao fármaco; cautela em epistaxe recorrente grave.
Efeitos adversos: Irritação nasal, epistaxe leve, raramente candidíase nasal.
Critérios de internação/UTI vs ambulatorial: Internar se SAOS grave com dessaturação importante, apneias prolongadas, comorbidades de risco (síndromes craniofaciais, neuromusculares) ou pós-operatório de adenotonsilectomia em alto risco. Seguimento ambulatorial para casos leves/moderados sem repercussão sistêmica.
Armadilha de prova: Radiografia de cavum não é “padrão-ouro” e polissonografia não confirma hipertrofia de adenoide; cada exame responde a uma pergunta diferente (anatomia vs fisiologia do sono).
Discussão das alternativas
✅ C) Nasofibroscopia flexível.
Alternativa correta. Padrão para confirmar e graduar hipertrofia de adenoide pela visualização direta do cavum, coanas e tuba auditiva, permitindo estimar o grau de obstrução e planejar conduta.
❌ A) Teste de hipersensibilidade imediata.
Alternativa incorreta. Avalia sensibilização alérgica (rinites), não confirma hipertrofia de adenoide. Poderia ser útil em controle de rinite associada, mas não responde à questão anatômica do cavum.
❌ B) Radiografia de cavum.
Alternativa incorreta. Exame auxiliar quando a endoscopia é indisponível; menor acurácia, sem avaliação dinâmica e com radiação. O método confirmatório recomendado é a visualização direta por nasofibroscopia.
❌ D) Polissonografia.
Alternativa incorreta. É o padrão-ouro para diagnosticar e graduar a síndrome da apneia obstrutiva do sono (fisiologia), mas não confirma hipertrofia de adenoide (anatomia). Deve ser solicitada para estratificar gravidade quando indicado.
Take-home message
- Criança com respiração bucal, roncos, pausas e fácies adenoideana: pense em hipertrofia de adenoide.
- Exame confirmatório da hipertrofia adenoideana: nasofibroscopia flexível (visualização direta do cavum).
- Polissonografia é padrão-ouro para confirmar e graduar a apneia do sono, não para medir adenoide.
- Tratamento cirúrgico (adenotonsilectomia) quando SAOS moderado/grave ou repercussões importantes; clínico em quadros leves com corticoide intranasal.
- Red flag: não usar radiografia de cavum como “padrão-ouro” e não trocar nasofibroscopia por PSG para avaliar anatomia.