Revisão do tema
Âncora (por que cai): Lactente com primeiro episódio de sibilância, pródromo de infecção de vias aéreas superiores e desconforto respiratório é clássico de bronquiolite viral aguda. O agente mais prevalente em menores de 2 anos é o vírus sincicial respiratório.
Epidemiologia e Etiologia
O que é: Bronquiolite viral aguda é inflamação obstrutiva de bronquíolos em lactentes, geralmente no primeiro ano de vida, após 2–3 dias de coriza/tosse.
Por que importa: É a principal causa de sibilância e internação respiratória em menores de 12 meses no Brasil em sazonalidade de outono-inverno/primavera.
Etiologia: Vírus sincicial respiratório é o mais frequente. Outros: rinovírus, metapneumovírus, parainfluenza e influenza. Bactérias típicas (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae) e atípicas (Mycoplasma pneumoniae) não causam bronquiolite clássica.
Diagnóstico
Clínico (padrão-ouro na prática): Lactente com pródromo viral (coriza/febre baixa), tosse, sibilância difusa, taquipneia e retrações. Pico no D3–D5 de doença.
Exame físico típico: Sibilos expiratórios difusos, estertores subcrepitantes, uso de musculatura acessória e hiperinsuflação.
Exames complementares: Não são rotineiros. Radiografia só se atípico/gravidade/complicação; testes virais não mudam conduta de rotina.
Mini-exemplo: Lactente 6–12 meses, primeiro episódio de sibilância + coriza + febre baixa + retração = bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório até prova em contrário.
Conduta & Posologia
Suporte (padrão-ouro): Oxigenoterapia se SpO2 < 92% (meta 92–94%), hidratação/hipodermóclise/venosa conforme aceitação oral, fracionar dieta e aspiração suave de nasofaringe com solução salina.
O que não fazer de rotina: Broncodilatadores, corticoides sistêmicos/inalatórios e antibióticos na bronquiolite não complicada.
Quando internar: SpO2 persistente < 92%, apneia, cianose, tiragem importante, incapacidade de hidratação via oral, sinais de fadiga/pausas respiratórias, comorbidades (prematuridade < 35 semanas, cardiopatia congênita, doença pulmonar crônica, imunodeficiência), idade < 3 meses, piora clínica progressiva ou condições sociais inadequadas.
Critérios de UTI: Necessidade de oxigênio em alta fração, ventilação não invasiva ou invasiva, apneias recorrentes, hipercapnia/acidose, sinais de exaustão respiratória.
Tempo de reavaliação: Observação na emergência 1–2 horas se desconforto leve/moderado; alta com orientações e retorno imediato se piora. Ambulatorial: reavaliar em 24–48 horas se mantiver sintomas.
Observações terapêuticas: Solução salina hipertônica 3% pode ser considerada em internados conforme protocolo do serviço; benefício modesto e não recomendada de rotina na emergência. Antitérmicos conforme necessidade clínica.
Discussão das alternativas
✅ B) Vírus sincicial respiratório.
Alternativa correta. Em lactentes < 12 meses com primeiro episódio de sibilância, pródromo de vias aéreas superiores, febre baixa e sinais de obstrução bronquiolar, o agente mais provável é o vírus sincicial respiratório, principal causador de bronquiolite viral aguda.
❌ A) Streptococcus pneumoniae.
Alternativa incorreta. S. pneumoniae é causa de pneumonia bacteriana típica, com febre alta, taquipneia, estertores/crepitações focais e consolidação radiológica, não de bronquiolite com sibilância difusa pós-pródromo viral.
❌ C) Mycoplasma pneumoniae.
Alternativa incorreta. Agente de pneumonia atípica, mais comum em escolares e adolescentes. Curso subagudo, tosse seca persistente e ausculta pouco expressiva; não é típico em lactentes e não causa bronquiolite clássica.
❌ D) Haemophilus influenzae.
Alternativa incorreta. Associado a otite média e sinusite (não tipável) e, antes da vacinação, a epiglotite (tipo b). Não é o agente típico de bronquiolite viral aguda com sibilância difusa em lactentes.
Take-home message
- Lactente com primeiro episódio de sibilância + pródromo de vias aéreas superiores = bronquiolite viral aguda; agente mais provável: vírus sincicial respiratório.
- Diagnóstico é clínico; exames e radiografia não são necessários de rotina.
- Conduta é suporte: oxigênio para SpO2 < 92%, hidratação e higiene nasal; reavaliar em 24–48 horas se ambulatorial.
- Red flag: apneia, SpO2 < 92%, tiragem importante, incapacidade de hidratação = internação.
- Armadilha de prova: não indicar broncodilatador, corticoide ou antibiótico de rotina na bronquiolite não complicada.