Revisão do tema
Âncora de memorização: Em puericultura, a regra de ouro é: triagem padronizada do desenvolvimento aos 9, 18 e 30 meses e vigilância contínua em todas as consultas; diante de sinais de risco social/comunicacional, aplique screening para TEA imediatamente, sem aguardar idade-alvo.
O que é: Triagem específica para TEA = aplicação de instrumento validado (ex.: M-CHAT-R/F) para identificar risco de transtorno do espectro autista em lactentes/pré-escolares.
Por que importa: Detecção precoce permite intervenção precoce (terapia fonoaudiológica/comportamental), que melhora linguagem, socialização e prognóstico funcional.
Como identificar: Atrasos em comunicação/linguagem, contato ocular reduzido, ausência de apontar protodeclarativo, regressão de marcos, padrões repetitivos/restritos, hipersensibilidades sensoriais.
Mini-exemplo: lactente de 18 meses sem balbucio significativo, não aponta e evita contato ocular → aplicar M-CHAT-R/F na mesma consulta.
Como manejar: Triar com instrumento adequado à idade; resultado de risco → encaminhar para avaliação diagnóstica (fono/TO/psicologia/neuropediatria) e iniciar estimulação/intervenção precoce; rastrear com periodicidade recomendada.
Conduta & Posologia
- Triagem padronizada (calendário): 9, 18 e 30 meses (desenvolvimento global). Diante de sinais, realizar triagem específica para TEA imediatamente.
- Instrumento para TEA (até ~30 meses): M-CHAT-R/F aplicado em 18–24 meses; pode ser aplicado antes/apos 24 meses se houver sinais.
- Encaminhamento prioritário: Crianças com triagem positiva ou regressão de habilidades devem ser referidas à avaliação especializada e iniciar intervenção precoce.
- Red flags (agir no mesmo dia): regressão de linguagem/social, ausência de balbucio/gestos aos 12m, ausência de palavras aos 16m, ausência de frases de 2 palavras aos 24m, ausência de apontar protodeclarativo aos 18m.
- Seguimento: Reavaliar em 1–3 meses se risco baixo/moderado em triagem e reforçar orientações parentais; risco alto → encaminhar imediato.
- Critérios de referência/nível de cuidado: Ambulatorial com equipe multiprofissional se sem comorbidades graves; encaminhar a neuropediatria/psiquiatria se epilepsia, regressão, macro/microcefalia, falha de aquisição de marcos centrais.
Discussão das alternativas:
❌ A) aos 2, 4 e 10 meses, independentemente se o quadro é associado à epilepsia, distúrbios do sono ou de ciência intelectual.
Alternativa incorreta. 2 e 4 meses não são marcos recomendados para triagem padronizada com instrumento; são consultas de vigilância clínica. 10 meses não substitui o ponto de 9 meses. Não há instrumento validado para TEA rotineiro em 2–4 meses.
✅ B) aos 9, 18 e 30 meses, independentemente se o quadro é associado à epilepsia, distúrbio do sono ou de ciência intelectual.
Alternativa correta. O calendário de triagem padronizada do desenvolvimento inclui 9, 18 e 30 meses. Na presença de sinais nas áreas de comunicação/socialização, a triagem específica para TEA deve ser feita imediatamente, e essas idades fazem parte das janelas obrigatórias de rastreio padronizado. Em prática baseada em diretriz, aplica-se M-CHAT-R/F especialmente em 18–24 meses, mas crianças com sinais podem ser triadas em qualquer consulta, sem aguardar outra idade-alvo.
❌ C) aos 12, 24 e 36 meses, principalmente se o quadro é associado à história familiar de TEA ou à de ciência intelectual.
Alternativa incorreta. O calendário recomendado é 9, 18 e 30 meses (não 12 e 36). Além disso, triagem para TEA não depende de “principalmente se” houver história familiar: a indicação é universal nas idades-alvo e imediata na presença de sinais.
❌ D) aos 2, 4 e 6 anos, principalmente se o quadro é associado à história familiar de TEA ou à deficiência intelectual.
Alternativa incorreta. Perde-se a janela crítica de intervenção (antes dos 3 anos). A triagem deve ocorrer no segundo ano de vida; 6 anos é tardio para rastreio inicial.
Take-home message:
- Triagem padronizada do desenvolvimento: 9, 18 e 30 meses + vigilância em todas as consultas.
- Sinais de risco social/comunicacional → aplicar triagem específica para TEA na mesma consulta (ex.: M-CHAT-R/F, idealmente 18–24 meses).
- Triagem positiva ou regressão → encaminhar para avaliação especializada e iniciar intervenção precoce.
- Red flags: regressão de habilidades, ausência de apontar aos 18m, sem palavras aos 16m, sem frases de 2 palavras aos 24m.
- História familiar e comorbidades (epilepsia, distúrbio do sono) aumentam vigilância, mas não substituem triagem universal nas idades-alvo.