Revisão do tema
Âncora de memorização: Recém-nascido com poucas vesículas/bolhas flácidas com conteúdo amarelado, sem febre e sem comprometimento sistêmico → quadro típico de impetigo bolhoso por Staphylococcus aureus produtor de toxina esfoliativa.
Tratamento de 1ª linha, em doença localizada: mupirocina tópica.
O que é: Impetigo bolhoso = infecção bacteriana superficial, bolhas flácidas, conteúdo turvo/amarelado, que rompem e deixam erosões/colaretes. Em RN, diferenciar de herpes neonatal (vesículas agrupadas, aspecto em "cacho de uva" e acometimento sistêmico) e estafilococia escaldada (SSSS) com eritrodermia difusa e dor à palpação.
Por que importa: Evitar antibióticos sistêmicos desnecessários, reconhecer red flags que exigem internação e cobrir corretamente S. aureus. Sulfadiazina de prata é contraindicada em RN.
Como identificar: Bolhas não agrupadas, flácidas, conteúdo amarelado; após ruptura, placas eritemato-acastanhadas/erosões (“numulares”). Ausência de febre, bom estado geral. Sem lesões herpetiformes agrupadas ou acometimento sistêmico.
Como manejar (regra prática): Lesões poucas e localizadas sem sinais sistêmicos → mupirocina 2% tópica por 5–7 dias.
Doença extensa, múltiplos focos, face/periorbitário, falha ao tópico em 48–72 h, febre ou toxemia → antibiótico sistêmico antiestafilocócico e avaliar internação.
Conduta & Posologia
- 1ª linha (doença localizada): Mupirocina 2% pomada/creme, aplicar fina camada 3x/dia por 5–7 dias. Limpar com soro fisiológico antes da aplicação.
- Ajustes: Absorção sistêmica mínima → sem ajuste em DRC/Child-Pugh/idoso. Pode ser usado em RN. Evitar uso prolongado para reduzir resistência.
- Efeitos adversos (mupirocina): Ardor, prurido, eritema locais; raramente hipersensibilidade.
- Alternativa (extenso/sistêmico): Oxacilina IV 100–200 mg/kg/dia dividida 6/6 h; ou Cefalexina VO 50–100 mg/kg/dia em 6/6–8/8 h; por 7 dias. Ajustar conforme gravidade e epidemiologia local.
- Contraindicações/alertas relevantes: Sulfadiazina de prata é contraindicada em RN (<2 meses) por risco de kernicterus e toxicidade; não é tratamento de impetigo. Aciclovir IV só se suspeita clínica de herpes neonatal.
- Critérios de internação/UTI vs ambulatorial: Internar se febre, toxemia, lesões extensas/confluentes, suspeita de SSSS, celulite/fascite, neonatal HSV, falha do tópico em 48–72 h ou condição social desfavorável. Ambulatorial se poucas lesões, RN bem, sem febre.
- Reavaliação/monitorização: Reavaliar em 48–72 h. Espera-se redução de exsudato e cicatrização das erosões.
- Sem melhora → reavaliar diagnóstico, colher cultura se possível e escalar para sistêmico.
Discussão das alternativas
✅ A) mupirocina tópico.
Alternativa correta. Doença localizada sem sinais sistêmicos em RN → antibiótico tópico é a conduta de 1ª linha. Mupirocina 2% 3x/dia por 5–7 dias é eficaz contra S. aureus causador do impetigo bolhoso.
❌ B) aciclovir intravenoso.
Alternativa incorreta. Indicado para herpes neonatal (vesículas agrupadas, acometimento sistêmico/meningoencefalite). O quadro descrito é de impetigo bolhoso; não há tradução clínica para HSV. A dose de HSV seria 60 mg/kg/dia IV 8/8 h por 14–21 dias, mas não se aplica aqui.
❌ C) sulfadiazina de prata tópico.
Alternativa incorreta. Agente para queimaduras; contraindicado em recém-nascidos (<2 meses) pelo risco de kernicterus e não é tratamento de escolha para impetigo.
❌ D) imunoglobulina varicela zoster intramuscular.
Alternativa incorreta. VZIG é profilaxia pós-exposição a varicela-zóster em expostos de alto risco; não trata impetigo e o caso não sugere varicela.
Take-home message
- Impetigo bolhoso neonatal: bolhas flácidas não agrupadas, conteúdo amarelado; sem febre → tratar localmente.
- 1ª linha em doença limitada: Mupirocina 2% 3x/dia por 5–7 dias.
- Escalar para antibiótico sistêmico se extensas/múltiplas lesões, face/periorbitário, febre, toxemia, falha em 48–72 h.
- Red flag: Eritrodermia dolorosa e descamação difusa → pensar em SSSS e internar.
- Não usar sulfadiazina de prata em RN; não é terapia de impetigo e há risco de kernicterus.
- Reavaliar em 48–72 h; ausência de melhora → reavaliar diagnóstico, considerar cultura e terapia sistêmica.